terça-feira, 23 de janeiro de 2018

DULCAMARA

Solanum dulcamara

Descrição : Da família das Solanáceas.
Subarbusto trepador, raízes fibrosas e caule elevando-se até 4m (geralmente metade), apoiando-se sobre as plantas vizinhas; casca cinzenta, caules cilíndricos, frágeis e ramosos; ramos alongados e finos, flexuosos, flexíveis, verde se pubescentes; folhas alternas, pecioladas, as inferiores inteiras, oval acuminadas e mais ou menos cordiformes na base; as superiores quase sempre 3-lobadas, às vezes 4-5 lobadas, sendo os lobos profundamente separados e o terminal maior, verde escuros, glabros ou finamente pubescentes nas duas páginas, excepcionalmente tomentosos; flores roxas ou azuis, raramente brancas, com mácula esverdeada na fauce, dispostas em racimos corimbiformes, longo pedunculados, extra-axilares, laterais ou terminais; o fruto é uma baga ovoide, pequena, pêndula, vermelha quando madura, circulada na base pelo cálice persistente e contendo sementes reniformes.
Essa planta contém, principalmente, no caule e na base dos pecíolos, o alcaloide "solanina", estupefaciente enérgico, o qual causa violentas convulsões e paralisa os membros inferiores, sem entretanto dilatar as pupilas; contém ainda o glicosido "dulcamarina", primeiramente amargo e depois doce, que o ácido sulfúrico desdobra em açúcar, e "dulcamaretina"; o extraio amargo doce "'picroglycion"', mistura de "solanina" e de açúcar, e, finalmente, resina contendo acido benzoico, cera verde, glúten, extrato gomoso e diversos sais.
História :
Desde época remotíssima que se vinham atribuindo a esta espécie inúmeras virtudes medicinais que, afinal, acham-se reduzidas a um excelente depurativo, recomendado no catarro pulmonar crônico, nos acidentes sifilíticos, nas dores gotosas e reumatismais e em certas afecções cutâneas, tais como herpes e eczemas.
Os frutos, antigamente tido como venenosos, estão reconhecidos inofensivos, pois encerram na casca apenas 0,3 a 0,7% de "solanina"; as folhas, usadas em cataplasma, têm efeitos calmantes e resolutivos, parecendo venenosas para o gado; os ramos, pela sua grande flexibilidade, servem para substituir o vime em várias obras trançadas, isto mais como curiosidade do que como indústria, mesmo doméstica; as raízes constituíam a base do famoso "elixir de amor", tão celebrizado como ridicularizado na literatura e no teatro, ao qual, durante período bem longo, atribuiu-se a propriedade de tornar apaixonadas as pessoas que ingeriam a infusão charlatânica.
Entre os mais formidáveis e eficientes golpes que esta recebeu, merece menção especial a brilhante partitura da ópera "Elisir d'amore", do grande compositor Donizetti, que ainda agora se representa em todo o mundo, o passo que a superstição já desapareceu.
A introdução na doce-amarga no Brasil é, decerto, muito remota, naturalmente apenas como ornamental, sendo muitíssimo comum nos jardins, onde é bastante atacada pelo Phyrdenus divergens Germ., vulgarmente conhecido como "broca do tomateiro". Há as variedades integrifolium Wk, de folhas inteiras; e variegatis, Hort., de folhas variegadas.
Origem : Originária da Europa, da Ásia e África boreais: Na Bahia, chamam-na de maria-preta, na Itália de corallina e, em Portugal, uva-de-cão.
Dulcamara
Indicações: Bronquite crônica, celulite, colite ulcerativa, congestão bronquial, dermatose, doença de pele, doença venérea, eczema, erupção de pele, febre, icterícia, pneumonia, reumatismo, úlcera.
Contraindicações/cuidados: tóxica .
Efeitos colaterais:
O excesso paralisa o sistema nervoso central, reduz o batimento cardíaco e a respiração, abaixa a temperatura e causa vertigem, delírio, convulsões e morte.
Os efeitos da sua ingestão em alta dose, que aliás não são constantes, apresentam a seguinte marcha: "Sequidão da faringe, vômitos, ansiedade, picadas na pele, sobretudo nos órgãos geniturinários, evacuações alvinas, transpiração e diurese abundantes, câimbras, movimentos convulsivos das pálpebras, dos lábios e das mãos, vertigens e insônia", (Heraud), sendo que não se conhece caso algum fatal.

DRAGÃO FEDORENTO

Monstera pertusa

Descrição : Família das Aráceas, também conhecida como folha-furada, folha-rota, imbê-furado, são pedro e timbó-manso.
Esta é uma planta trepadeira, lenhosa, de caule nodoso, grosso, até 3 cm de diâmetro e ramos radicantes emitindo numerosas raízes adventícias compridas e de 4 a 6 mm de diâmetro, parte das quais se fixam nos troncos das árvores vizinhas e outra parte desce verticalmente até o solo, formando cordões de muitos metros, enquanto a planta se desenvolve como epílita sobre os ramos mais altos das árvores.
É belíssima e majestosa, planta ornamental, muitíssimo cultivada nas estufas da Europa.
Suas folhas, com limbo de 30 a 50 cm de comprimento e 15 a 33 cm de largura, são oblongo-oval-cordiformes, agudas no ápice e arredondadas na base, verde-escuro, irregularmente perfuradas, às vezes até dilaceradas, em geral com 6 furos, orbiculares, pequenos ou grandes, até cerca de 20 cm; seu pedúnculo de 10 a 17 cm e espadice de 10 cm, tendo na base, flores bissexuais, de 4 a 6 estames, nus, protegido por espata ovoide, côncava, de 15-20 cm, amarelo brancacenta, ovário bilocular.
Seu fruto é composto de bagas branco amareladas, de 6 mm de comprimento e 4 mm de largura.
Dragão Fedorento
Indicações: A infusão de suas raízes é considerada muito eficaz contra a hidropisia e o artritismo, atribuindo-se ao suco a propriedade alexifármaca; as folhas frescas e amassadas são empregadas como vesicatório e rubefaciente nos mesmos casos e ainda contra as orquites crônicas, a inflamação dos ouvidos, a erisipela, as eczemas, a caspa e as úlceras em geral, sendo que atualmente goza de boa reputação para combater as linfatites posteriores aos partos, encontrando-se nas farmácias o extrato fluido da planta sob o nome de chagas-de-são sebastião.
Propriedade : No seu caule existe umidade, celulose, substâncias albuminoides, gomosas, sais inorgânicos, glicose, clorofila, ácido orgânico, caoutchouc, resina "monsterina", sendo esta última uma substância orgânica amarela, de sabor salino, solúvel na água.

DOURADINHA

Waltheria indica

Descrição : Planta da família das Sterculiaceae, também conhecida como douradinha-do campo, malva-branca, malva-veludo. Arbusto muito encontrado no estado do Rio Grande do Sul, folhas ovais, flores amarelo douradas e o fruto é uma cápsula oval.
Parte utilizada: Planta inteira.
Princípios Ativos: alcaloides, taninos , saponinas.
Propriedades medicinais: anti-inflamatória, antissifilítica.
Indicações: Sífilis, feridas.
Modo de usar: Decocto ou infusão de 20 g da planta em um litro de água: uso externo (feridas) e interno (sífilis). Tomar 4 a 5 xícaras (tamanho chá) ao dia.
Douradinha

DOURADINHA DO CAMPO

Waltheria douradinha

Descrição : Da família das Escrofulariáceas. Várias espécies existem desta planta, medicinais, quase todas elas.
Esta é uma planta anual, herbácea, de caule quadrangular, medindo até 10 cm de altura, difusa e ramosíssima desde a base, seus ramos semiprostrados ou ascendentes, filiformes, glabros ou hirtos nos ângulos; suas folhas opostas, curto pecioladas, distanciadas, obtusas subcordiformes ou arredondadas na base até 3 cm de comprimento e 2 cm de largura, crenadas, serradas, crasso-crustáceas nas margens e suas flores axilares, mais geralmente solitárias, azul purpúreo, com cálice 5-denteado e profundamente dividido, com os dentes triangulares e agudos; corola bilibiada, lábio superior côncavo e lábio inferior 3-lobado, ovário 2-locular; o fruto é uma cápsula oblongo elíptica, bivalve, membranosa, do tamanho de uma ervilha e inclusa no cálice. Muitas sementes elíptico angulosas, ligeiramente rugosas, amareladas.
É antibiliosa, diurético purgativa, emeto-carártica e emenagoga, porém há uma suposição de que é venenosa.
Em alguns países ocupa o primeiro lugar na Medicina caseira.
Vive na África, na Ásia, Austrália e em quase todo o mundo.
A espécie Waltheria communis, St. Hil., da família das Esterculiáceas, já é uma planta arbustiva, lenhosa, tomentosa ou hirsuta, pequena, até 40cm de altura, com flores hermafroditas, pequenas, branco amareladas, dispostas na axila da folha superior, pétalas plenas e 4 ou 5 estames; seu fruto é uma cápsula glabra na base e hirta no ápice.
É estimulante, antidisentérica, sudorífica, emética e diurética.
Muito recomendada contra o catarro brônquico e moléstias pulmonares, além de curar as cistites e as blenorragias.
Uma outra espécie, W. douradinha St. Hil., da mesma família, é também planta lenhosa, de caule solitário e suas folhas e flores em infusão são úteis internamente nas afecções catarrais e externamente na lavagem de feridas, principalmente as de origem sifilítica.
A homeopatia a emprega com o nome de Slemodia arenaria. Vegeta, de preferência nos lugares pedregosos.
Parte utilizada: Folhas e cascas dos ramos.
Douradinha do Campo
Princípios Ativos: alcaloides, taninos , saponinas.
Propriedades medicinais: Depurativa enérgica, diurética, emagrecedora, antialbuminúrica, cardiotônica, hipotensora, anti-inflamatória, estimulante, emética, sudorífica, emoliente.
Indicações: Reumatismo, ácido úrico, gota, estimulante, doenças da pele (erupções, coceiras, furúnculos, feridas, eczemas, úlceras externas), cólicas renais, abaixar a pressão arterial, furunculose, afecções dos rins e bexiga, cistite crônica, dificuldades em urinar, disenteria, catarro crônico, afecções pulmonares, blenorragia, tosse, bronquite, doenças sifilíticas, amolecer tumores.
Contraindicações/cuidados: Evitar seu uso em pacientes com distúrbios da coagulação sanguínea.
Efeitos colaterais: Aumento do número de evacuações ou diarreia pastosa nos intestinos com tendência a diarreia.
Modo de usar:
- Infusão de 20 g de folhas e casca dos ramos em um litro de água: uso externo e interno. Tomar 4 a 5 xícaras (tamanho chá) ao dia;
- Tintura da casca: tônico cardíaco.

ERVA DORIL

Alternanthera brasiliana.

Descrição : Planta da família das Amaranthaceae, também conhecida como anador, melhoral, acônito-do-mato, caaponga, cabeça-branca, carrapichinho, carrapichinho-do-mato, ervanço, infalível, nateira, penicilina, perpétua, perpétua-do-brasil, perpétua-do-mato, quebra-panela, sempre-viva, terramicina.
Erva rústica, de hábitos invasores, apresenta raízes pouco profundas, caule roliço de cor purpúrea, segmentado, que pode alcançar mais de 2 m de comprimento.
As folhas lanceoladas ou oval alongadas, Version-arroxeada, planas, verdes quando jovens e avermelhadas quando maduras são membranáceas, lisas, inteiras.
As flores insignificantes são pequenas, brancas, assemelham-se a pompons. Inflorescência globosa, pequena , Server-esbraquiçadas.
Parte utilizada: Folhas.
Habitat: Planta nativa do Brasil.
História: Largamente utilizada na medicina caseira e pelos caboclos, que atribuem-lhe nomes que descrevem seus usos.
Origem : América do Sul.
Propriedades medicinais:
Folhas: analgésicas, depurativa, diurética, digestiva;
Flores: béquicas.
Doril
Nota: In vitro apresentou atividade antitumoral.
Indicações: Bexiga, fígado, hemorróidas, dores. Nas Guianas as folhas são usadas como adstringente e antidiarreica e a planta inteira em maceração para prisão de ventre.
Uso pediátrico: As mesmas indicações.
Uso na gestação e na lactação: A planta é considerada segura, não havendo relatos de contraindicação na gravidez. Como não há relatos de estudos de sua farmacocinética nestas condições, aconselha-se que seu uso seja evitado nos 3 primeiros meses de gravidez ou apenas seu uso externo.
Modo de usar :
Infusão de uma colher de sobremesa de flores em um litro de água. Tomar 3 a 4 xícaras de chá ao dia: béquica.
Posologia: 1g de flores frescas (1 colher de sobremesa para cada xícara de água) em infuso como béquica; 2g de folhas frescas (1 colher de sobremesa para cada xícara de água) em infuso nas diarreia, afecções inflamatórias do fígado, bexiga e dores. O infuso, em proporções maiores pode ser usado como adstringente geral para a pele e ferimentos e tem ótimos resultados como antibiótico tópico em feridas infectadas; Crianças tomam de 1/3 a 1/z dose; O chá da planta tem coloração vermelha.
Farmacologia: A planta faz parte da medicina folclórica de vários países da América do Sul; Há apenas um relato de sua atividade antitumoral, in vitro.
Toxicologia: Não há relatos de envenenamento. A planta é considerada segura na cultura popular.