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terça-feira, 24 de novembro de 2020

açafrão

 

açafrão

Açafrão
Açafrão - imagem original: m-bot - Licença Creative Commons

Crocus sativus

O açafrão é uma planta cultivada para a coleta dos estigmas (a parte da flor que recebe o pólen), que quando secos e moídos são uma especiaria utilizada em diversos pratos culinários, incluindo pratos famosos como a paella espanhola e a bouillabaisse francesa. Também é usado para colorir, aromatizar e dar sabor a alimentos como queijos, manteiga, molhos e bebidas. A planta possui um cormo subterrâneo de onde surgem as folhas e flores, que podem atingir de 15 a 30 cm de altura. Cada planta produz anualmente uma ou mais flores (até 5 flores) de cor violeta, rosa, vermelha ou branca. A especiaria açafrão, muitas vezes chamada de açafrão verdadeiro para distingui-la de imitações, é aromática e de sabor forte, e sendo um corante natural, tinge de amarelo os alimentos preparados com ela. Em alguns lugares o açafrão também é usado para fins medicinais e em perfumaria.

Açafrão
O açafrão cresce melhor em regiões de clima subtropical que apresentam verões quentes e secos - imagem original: Liné1 - Licença Creative Commons

Clima

O açafrão cresce melhor em clima subtropical, mas pode ser cultivado em um clima mais frio, desde que haja um período com temperaturas adequadas para o cultivo de cerca de seis meses. O ideal são primaveras chuvosas e verões quentes e secos, com chuvas ou irrigação precedendo a floração, que ocorre no outono, mas sem chuvas pesadas ou geadas quando as flores desabrocham, pois podem diminuir ou arruinar a colheita. Clima quente e úmido não é conveniente para o cultivo desta planta.

Luminosidade

Deve receber luz solar direta pelo menos por algumas horas diariamente. Esta planta tem um fotoperíodo de dias curtos, requerendo que haja cerca de 11 horas de luz ou menos por dia para florescer no outono.

Açafrão
O açafrão cresce melhor em solos arenosos ou solos calcários - imagem original: m-bot - Licença Creative Commons

Solo

Cultive preferencialmente em solo leve e bem drenado, moderadamente fértil e rico em matéria orgânica. O pH do solo pode ficar entre 5,5 e 7,5.

Irrigação

Irrigue de forma a manter o solo sempre úmido nos meses de primavera, mas durante o verão a disponibilidade de água deveria ser mínima. No início do outono volte a irrigar, suspendendo novamente quando as flores começarem a surgir.

Cormos de açafrão
Cormos de açafrão, que são usados no plantio - imagem original: Rudolf Simon - Licença Creative Commons

Plantio

O açafrão não produz sementes, portanto o plantio é realizado exclusivamente por cormos jovens, que são produzidos pela planta todos os anos.

Os cormos devem ser colocados em valas, de forma a ficarem cobertos por 10 a 15 cm de terra. As linhas de plantio podem ficar espaçadas de 15 a 20 cm uma da outra e, em grandes plantações, algumas linhas de plantio devem ficar espaçadas por pelo menos 50 cm para permitir a movimentação dos trabalhadores que realizam os tratos culturais e a colheita. As plantas podem ficar distanciadas de 5 a 10 cm umas das outras.O açafrão também pode ser cultivado em vasos e jardineiras. Geralmente são necessárias seis plantas para produzir açafrão suficiente para uso em uma receita de tamanho médio.

Tratos culturais

Retire regularmente as plantas invasoras que estiverem concorrendo por recursos e nutrientes.

Embora a planta possa sobreviver por mais de uma década, após um período de cultivo de três a cinco anos a plantação normalmente deve ser renovada, retirando-se os cormos disponíveis e efetuando-se o plantio em outro local. Em algumas regiões a plantação é renovada anualmente, especialmente onde o inverno pode ser rigoroso, exigindo que os cormos sejam retirados do solo e armazenados, mas assim a produtividade é menor, pois cada planta geralmente produz apenas uma flor no primeiro ano. A produtividade é maior no segundo e terceiro ano de plantio.

Flor do açafrão
Flor do açafrão, onde é possível ver os estilos e estigmas vermelhos e as anteras amarelas - imagem original: Glenn - Licença Creative Commons

Colheita

A floração ocorre normalmente no outono, e as flores já abertas devem ser colhidas nas horas mais frescas do dia. No mesmo dia os estigmas devem ser separados e secos ao sol, ou melhor ainda, secos por alguns minutos em uma peneira metálica sobre o fogo, de forma que o ar em torno dos estigmas esteja a uma temperatura moderadamente quente (cerca de 70°C por seis minutos). Uma secagem inadequada, em temperatura muito alta ou muito baixa pode afetar a qualidade do açafrão. Depois de seco, o açafrão deve ser guardado em potes opacos fechados. São necessárias cerca de 100.000 a 200.000 flores para obtenção de um quilo de açafrão seco.

Em grande quantidade o açafrão pode ser tóxico. Na quantidade normalmente utilizada na preparação de alimentos seu consumo é seguro.

Estigmas de açafrão
Estigmas de açafrão. Apenas os estigmas das flores são colhidos e usados como especiaria - imagem original: Steven Jackson 

domingo, 22 de setembro de 2019

Açafrão


Como ler uma infocaixa de taxonomiaAçafrão
Flor de açafrão, ao anoitecer, com carpelos vermelhos visíveis.
Flor de açafrão, ao anoitecer, com carpelos vermelhos visíveis.
Classificação científica
Reino:Plantae
Divisão:Magnoliophyta
Classe:Liliopsida
Ordem:Asparagales
Família:Iridaceae
Género:Crocus
Espécie:C. sativus
Nome binomial
Crocus sativus
L.
açafrão é extraído dos estigmas de flores de Crocus sativus, uma planta da família das Iridáceas. É utilizado desde a Antiguidade como especiaria, principalmente na culinária do Mediterrâneo — região de onde a variedade é originária — no preparo de risotos, aves, caldos, massas e doces. É um ingrediente essencial à paelha espanhola. É tida como uma das especiarias mais caras do mundo uma vez que, para se obter um quilograma de açafrão seco, são processadas, manualmente, cerca de 150 000 flores, e é preciso cultivar uma área de aproximadamente 2 000m².[1] Quando seca, a flor desprende de seus órgãos um pigmento amarelo e um óleo volátil, tradicionalmente usado como corante de tecidos.
Há séculos é também empregado para fins medicinais. Historicamente foi utilizado no tratamento do câncer e de estados depressivos. Tais aplicações têm sido pesquisadas atualmente. Efeitos promissores e seletivos contra o câncer têm sido observados in vitro e in vivo, mas não ainda em testes clínicos. Efeitos antidepressivos também foram encontrados in vivo e em estudos clínicos preliminares. Há portanto interessantes perspectivas de uso dos extratos de açafrão na fitoterapia racional.[2]
Açafrão iraniano: filamentos (estigmas) vermelhos misturados com pistilos amarelos.
Não deve ser confundindo com a cúrcuma, também chamada de açafrão-da-terra.

Botânica[editar | editar código-fonte]

Morfologia da Crocus sativus:
  corola
  estames
  cormo
  estigma
Crocus doméstica, C. sativus L., é uma planta perene, de floração outonal, inexistente em estado selvagem.
Seria originária da Ásia central[3] ou de Creta [4]. A espécie Crocus sativus teria resultado de uma seleção intensiva de Crocus cartwrightianus, um crocus de floração outonal originário da porção oriental do mediterrâneo[5] por produtores que desejavam estigmas mais longos.

Cultivo[editar | editar código-fonte]

Crocus sativus prospera em climas semelhantes ao dos maquis mediterrâneos ou do chaparral norte-americano, onde a brisa seca e quente do verão sopram sobre as terras semi-áridas ou áridas. Todavia, a planta pode tolerar invernos rigorosos, sobrevivendo a temperaturas de até -10°C e mesmo a curtos períodos sob neve.[5][6] Mas, embora não sobreviva em ambientes úmidos como o da Cachemira, onde as precipitações são, em média, de 1000 a 1500 milímetros por ano, o açafrão precisa ser irrigado. Isto é particularmente verdadeiro na Grécia (500 mm por ano) e na Espanha (400 mm por ano). A frequência das precipitações é também um fator importante. O ideal é que haja chuvas abundantes na primavera, seguidas de verões secos. Precipitações pouco antes da floração aumentam a produção da planta. Já o tempo frio e chuvoso durante a floração favorece a incidência de doenças e reduz a produção.[7]
Em média, uma flor fresca fornece 0,03 g de açafrão fresco ou 0,007 g de açafrão seco

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

PROPRIEDADES MEDICINAIS DO AÇAFRÃO DA TERRA

Curcuma Longa

Ingrediente essencial dos pratos de caril, o açafrão-da-índia tem uma cor amarelo dourada, familiar a todos os que comem comida indiana. Tradicionalmente, a raiz é usada para problemas alérgicos e inflamatórios. E as investigações têm mostrado que tem muitos benefícios para a saúde, devido sobretudo à sua forte ação antioxidante.
Descrição : Da família das Zingiberácea, também conhecido como gengibre-amarelo, tumérico, curcuma, açafrão da índia, açafroa. Outros nomes populares Açafroeira, açafroeira-da-índia, batata-amarela, gengibre-amarelo, gengibre-dourado (a cor da raiz no "curry"), mangarataia (turmeric em inglês), que é o açafrão milenar da medicina chinesa e indiana e também usada no Brasil como tempero de alimentos, à semelhança do que os indianos fazem no "curry". Outros sinônimos científicos Curcuma domestica Valeton, C.; Sichuanensis XX Chen; Stissera curcuma Racusch.
Temos vários açafrões: um é a planta chamada Crocus sativus, Lineo, conhecida alhures como Açafrão oriental, Açafrão cultivado, Açafrão verdadeiro, Flor da aurora, Flor de Hércules, que é um arbusto pequeno muito comum nos jardins do Brasil.
Não é deste que falamos aqui, neste texto falamos da Curcuma longa L/C.
Outro é o Curcuma zedoaria (Christm) Roscoe, falso açafrão, zedoária, bastante parecida com a descrição abaixo, com um diferencial importante, esta tem flor vermelha e a outra tem flores maiores e brancas, mas a folhagem é idêntica.
Usada há séculos como estomáquica.
Planta perene, rizomatosa, sendo que o rizoma principal é piriforme, arredondada ou ovoide, carnudo, com ramificação laterais compridas, mais finas e menos carnudas.
Externamente os rizomas frescas apresentam uma coloração esbranquiçada ou acinzentada e internamente amarelada.
Do rizoma saem as folhas e as hastes florais.
As folhas são invariantes, oblongo lanceoladas, longamente pecioladas e reunidas na base.
As flores, pequenas e de cor amarela, nascem de uma inflorescência, semelhante a uma espiga, localizada na ponta de uma espiga, localizada na ponta de uma haste longa.
O fruto é uma cápsula bivalve, que se abre quando maduro, apresentando 3 orifícios onde estão contidas as sementes.
Possui um odor agradável, que lembra o só gengibre, levemente amargo.
Partes Utilizada : Utiliza-se Rizoma, semelhante ao gengibre, seu parente.
Origem : Índia, e foi introduzida no Brasil pelos colonizadores.
Plantio
Multiplicação: por rizomas (cortam-se pedaços com gema e preparam-se as mudas);
Cultivo: Plantio em covas de 10 cm de profundidade em terrenos úmidos e afofados, com espaçamento de 0,5m X 0,5m;
Colheita: colhem-se os rizomas 8 a 10 meses após o plantio (quando as folhas amarelarem). Os rizomas lavados e secos, devem ser conservados em vidros de boca larga e escuros ou latas, bem tampadas.
Modo de conservar : Os rizomas devem ser lavados, enxugados e fatiados. Colocar para secar ao sol, em local ventilado e sem umidade. Conservar em vidros escuros, ao abrigo da luz solar.
Propriedades : anti-inflamatória, anticoncepcional, antiagregante plaquetária, anti-infecciosa, antiasmática.
Cúrcuma Longa
Indicações
Desintoxicante - O açafrão-da-terra favorece o funcionamento saudável do tubo digestivo alto, combatendo infecções e inflamações do estômago e do intestino delgado. Ao mesmo tempo, protege o fígado de danos tóxicos e estimula o fluxo de bílis.
Prevenção do câncer - O açafrão-da-terra pode ser útil em muitos problemas de saúde crônicos é cada vez mais usado na prevenção do câncer. Há alguma controvérsia quanto ao fato.
 de Açafrão da Terra- De poder ser um suplemento a tomar para manter uma boa saúde depois de diagnosticado um câncer. Neste caso, use apenas por conselho de um médico ou fitoterapeuta qualificado.
Outros usos : A acentuada ação antioxidante da raiz torna-a útil em muitas doenças crônicas. Investigações recentes sugerem possíveis benefícios em problemas tão diversos como indigestão e enjoos, gastrite, úlcera péptica, distúrbios hepáticos, colesterol alto, artrite e problemas autoimunes inflamatórios, tais como a artrite reumatoide e a doença de Crohn.
O açafrão-da-índia também tem uma ação antibacteriana e antifúngica, que pode ser útil para tratar infecções por cândida. A raiz também abranda a coagulação sanguínea.
Princípios Ativo
Em sua composição química, os principais são curcuminóides (corantes) em 2 a 5%, diferuil metano, curcuminas I e III e outras curcuminas.
Tem óleos essenciais, onde 60% deles são de sesquislactonas (turmerona), zingibereno, bisabolano, cineol, linalol, eugenol, curcumenol, curcumernona, como os principais, além de polissacarídeos A, B e C, galactano, potássio, resina, glucídios (mais amido).
Sua composição em cada 100 gramos de rizoma é aproximadamente = 354 calorias, 11,4% de água, 7,8% de proteínas, 9,9 de gorduras, 64,9% de hidratos de carbono, 6,7 %de fibras, 6% de cinzas, 182mg de cálcio, 268mg de fósforo, 41,4mg de ferro, 38 mg de sódio, 2525 mg de potássio, 0,15 mg de tiamina, 0,23 mg de riboflavina, niacina 5,14mg, ácido ascórbico em 26 mg e caroteno.
Curcuma
Modo de Usar
Externamente é bom cicatrizante e desinfectante de feridas, inclusive de olho, e antirreumático (usa-se 1% de rizoma em decocção, duas ou três vezes ao dia.)
Pode ser usada como extrato seco ( 5:1 é proporção da droga vegetal nesta forma farmacêutica ) em encapsulados, na dosagem de 80 mg, duas vezes ao dia ou em extrato fluido em 50 gotas por duas ou três tomadas (cada 40 gotas têm um gramo).
A absorção dos princípios ativos dela pelas vias digestivas é boa (cerca de 60%) e não é ulcerogênica como os anti-inflamatórios convencionais, provou em 1986 R. Srimal.
Este outro açafrão, chamado de açafrão verdadeiro (ou cultivado), açaflor ou erva-ruiva é semelhante ao que comentamos, porém, mais comum e usado na culinária brasileira.
Seus estigmas secos são usados contra gases intestinais, dores gástricas, atonia digestiva (as raízes também têm esta ação), afecções das vias urinárias, calculose renal e da vesícula biliar, e para problemas do sistema respiratório.
Usam-se as raízes ainda para a circulação do sangue e como antihipertensivo, oralmente, por infuso de uma colher de sobremesa para cada xícara de água, uma a três vezes ao dia.
Os estigmas são usados também por infusão (15 estigmas por xícara de água), três xícaras por dia: aceleram a digestão.
Dica Culinária : A cúrcuma participa do curri, tempero tradicional indiano, e é usada por farmácias como corantes. Aliás, os trajes típicos budistas têm a cor amarelada pela cúrcuma usada, que não pode substituir o açafrão caseiro (Crocus sativus Linneo) apenas porque o sabor é muito forte.
Toxicologia : Um cuidado é importante ter: não tomar mais que 10 gramos por dia (30 estigmas ou quatro colheres de sobremesa) porque esta planta é tóxica em grandes doses, podendo dar alteração no sistema nervoso, ou provocar abortos.
Farmacologia
Trabalhos realizados fundamentalmente com os corantes mostraram efeitos colerético, colagogo e protetor hepático em ratas (Ozaki Y. et al., 1988 e outros posteriormente.)
Há um estudo que mostra involuções de cálculos biliares com uso de curcumina - Hussain M. et al., 1993 - e melhora das funções de muitas enzimas do fígado : Goud V. et al., 1993, além de ser hepatoprotetor e antitóxico do fígado, como nos diz Donatus I. et al.,em 1990.
Na verdade há muitos trabalhos nos dando conta de que é uma ótima planta para os problemas do fígado e vesícula biliar.
Há, também, nestes rizomas, atividades pró-digestiva das boas como quer outra série de bons trabalhos científicos. Kiso Y. em 1983 demostrou que ela estimula a digestão.
É protetor gástrico, por diminuir a secreção de ácidos segundo Rafatullah S. et al.,1990. Apresenta atividade imunomoduladora estimulante e anti-inflamatória em ratas, por potencializar o sistema retículo endotelial e quem nos diz assim é Kinoshita G et al , 1986 e Gonda R. et al., 1992.
Há muitos outros estudos provando sua atividade anti-inflamatória.
É uma planta que abaixa o nível de colesterol e lipídios totais no sangue às custas da curcumina.
Extrato de Cúrcuma doméstica demonstrou abaixar triglicerídeos e fosfolipídeos em trabalhos de A . Beynen em 1987 e V. Dixit e outros no ano seguinte.
A curcumina inibe o acetato de tetradecanoil-forbol que causa tumor de pele, a nitrosamina, causadora de cânceres orais e gástricos e azoximetanol, indutor de câncer em cólon.
Nagabhushan M, Bhide S. e Huang M. et al. em 1992 provaram que 2% de curcumina protegem a mucosa do intestino grosso contra este último agente.
Ainda é antiagregante plaquetária, antifungosa, antiasmática e útil em casos de despigmentação da pele como na psoríase e alguma leucemia.
Em altas doses inibe a ovulação e poderia, então, ser usada como anticoncepcional: trabalho feito na Universidade de Filipinas (publicado em Philippine Journal of Science).
No Oriente é usada como hepatoprotetor, estimulante das vias biliares, antiflatulenta, diurética, afrodisíaca, diurética, antiparasitária, antifebril, anti-inflamatória e para a circulação.
Na China é usada contra o câncer de colo de útero (em aplicação local e via oral), como fala o Dr. Jorge R. Alonso da Associação Argentina de Fitomedicina.